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Não deixes arrefecer,
aproveita a imaginação
no vento frio,
(que nos gela)
aquece comigo a noite.
Deixa que a madrugada
regresse a casa,
o calor se faça sentir
como a memória
-agora ausente-
do que fomos;
nas entranhas
os únicos sobreviventes.Foto minha.
Deixo a respiração
amansar
nas tuas mãos.
Os sentidos acalmam-se
numa carícia doce,
inesperada.
Encosto-me ao teu ombro
e sinto-te vivo
então,
os sentidos exaltam-se
e entrego-me
na ternura dos teus gestos,
no fulgor do teu olhar,
sendo o que esperas
em mim.Foto minha.
Queria dizer-te as palavras
que faltam
se a noite me libertasse,
me invadisse,
extenuante
na prosa enriquecida,
de um caderno antigo.
Queria provocar-te
um doce murmúrio,
um carinho inusual
e que a voz caprichosa
me devolvesse os sons
entre este dizer-te hoje
e esse sempre calar-me.Foto minha.
Imagina o verde folha
A cor tresmalhada
Dos sonhos
Imagina que albergaste
Mil desejos incontroláveis
Mil caminhos
Ou mil canções de amanhecer
Imagina saudades
Infância e despreocupação
Ou a lucidez e a virtude
De um copo de água pé
Imagina as castanhas
Loiras e luzidias
Chamuscando as tuas mãos
Empoeirando a tua boca
Imagina como te perturbas
Noite fora
Sem horas sem regresso
E te alentas e revigoras
Numa mão cheia
De brasas…Foto minha.
Quando as palavras escasseiam
recorro ao olhar
numa instância última
de liberdade
Leve o movimento das pálpebras
lento muito lento
o caminhar
o pensamento perdido além
a voz perturbadora
da memória.
E o beijo sempre presente
Nesta última palavra
da escassez física.Foto minha.
Surpreende-me a madrugada
Quando as lágrimas
Rolam
Surpreendes-me tu
Num intervalo
De amor
Surpreendida fico
Com as palavras
Que entoas
Na madrugada
De lágrimas
Que no intervalo
Caiem de amor
Ao som da alma.Foto minha.
Existe um encanto
na floresta
que desconheço
ainda
de deuses e maravilhas
esse encanto
não se estabelece
acontece
Existe assim de mansinho
um mar e um lago
ao lado
de fantasia
tão mágicos
quanto a tarde
um duende e uma fonte
E eu aqui olhando
tentando discernir
tanta azáfama
momento de mim
de dentro de todos
a mágica
loucura
de ser vivo.Foto minha.Este espaço vai descansar por uns dias.
É estranho este silêncio
da manhã
quando já partiste
e o sol ainda não nasceu
fica sem graça
esta cama vazia
sem a tua presença
uma vaga canção de amor
embala a solidão
e o torpor percorre
todo o meu corpo
numa envolvência
de silêncio
e do vazio da cama
quando tu já partiste
renasce a solidão magoada.Foto minha.
Vou navegando à bolina
sem grandes inquietações
e assim
talvez
aporte por aí
algures
num espaço vago
e num tempo diferente.Foto minha.
Foto de Mário GalanteEu, acompanhada pelo Jorge Castro, dinamizador das Noites com Poemas, Clarinda Galante, uma Senhora da fotografia, Maria Francília Pinheiro, Poeta e a Ilda Oliveira, contadora de histórias.
Toda eu sou uma lágrima
extravasando do interior
e escorrendo pelo meu corpo
diluindo-se vagarosamente
completando um ciclo vagamente
disperso até me fazer soluçar
uma lágrima salgada
caminhando por entre os sulcos
que me deixam as mágoas
toda eu sou lágrimas
transbordando das margens
à procura de um rumo...Foto minha.
Já tenho comigo o meu 4º livro de poemas. Marcas ou memórias do vento. Da Editora Apenas Livros.
O intróito é do Gustavo Lebreiro. Um dos meus filhos.
Será feita uma apresentação na Noite com Poemas na Biblioteca Municipal de Cascais, em S.Domingos de Rana, no próximo dia 15, quinta feira, às 21h30.
Quem não puder estar presente e pretender adquiri-lo, basta enviar-me um email.
Obrigada.
Tudo termina agora.
Queimaram-se os anos e a vida,
tudo ficou em pó
para que se dilua no Universo
e nos permita
ser felizes um dia.
Fica a memória
enquanto memória existir
e um permanente
ricto de saudade
a chorar no nosso olhar.Foto minha.
És tu?
Vieste visitar-me?
Saber se estou bem?
Vieste sim.
Saber de mim.
Nada mudou.
Estou aqui perdida
como sempre estive
e quando te olho
sei que me amas
me lês, me ouves
e me devolves
aquilo que marca
a minha estadia.
O amor.Foto minha.
Só regressarei a 4 de Outubro, até lá, peço desculpa, mas não estarei aqui nem nos vossos espaços.Foto minha.
A luz sobrevoa
um imenso desejo
abraça-o e encanta-o
deixa-o caminhar só
prende-lhe o olhar
acorda-o da letargia
do dia a dia.
A luz enfeitiça
a escuridão.Foto minha.
Era domingo.
Nada acontece por acaso.
Mas por acaso
chegou um desconhecido torpor
e por acaso
já o Verão se aproximava do fim.
Mas não por acaso
a voz pronunciou-se em tom neutro
e por acaso eu ouvi-a em silêncio.
E talvez
porque nada acontece por acaso
eu a entendo.
Hoje.Foto minha.
Quando me cantas ao ouvido
a música dos poemas
regresso ao fundo de mim
numa suave melodia de água
só daí posso nascer e chorar
apresentando-me ao mundo
depois da tua canção
eu permaneço
uma eloquente paixão
sou uma presença de mar
e uma onda para te trazer de novo
à Vida!Foto minha.
E o silêncio será o meu luto.Foto minha.
Mais uma página
virada do avesso
um absurdo silêncio
uma forma disforme
de calar
outra página
do livro errado
do incerto folhear
e as folhas murcham
pelo raiar da manhã.
Assim estáticos
o incompreensível
desvendar das coisas.Foto minha.
Talvez me apeteça
rever o filme
de trás para a frente
em câmara lenta
e concluir
que a ideia inicial
foi o final imprevisto
de uma câmara obsoleta
de um sentimento
sem precauções
ou de uma
improvisada sessão
feita de retalhos
mal alinhavados.
Com os meus olhos
digo da sombra
e do afago
e da saudade
e de um infinito
olhar
falo da paz
e do silêncio
ou da solidão
com os teus olhos
por mim
sinto melancolia
ou amor
e um sempre
regresso de ti
mesmo que seja
um sonho breve
com os teus olhos
de mim.Foto minha.
Sinto o rio
hoje ele bebeu-me as palavras
e deixou-me o coração
aberto à Vida
aquele rio soletrou-me
enterneceu a distância
e ofereceu-me a paz presente
o crepitar do fogo
o rio hoje
amansa-me...Foto da minha autoria...
Porque é que às vezes
não passa de um brutal
nó na garganta
e as lágrimas
escorrem por dentro
e inundam a alma
e nos afogam os sentidos
não choramos
e não gritamos
deixando a dôr
amachucar
o que ainda resta de nós?
Porque será então
que o fogo não se extingue
quando a ausência
é premente?!Foto minha.