Não deixes amontoar as palavras: deita-as para fora, escreve-as, solta-as; deixa que se espalhem pelos campos, que as vozes as entoem, que os sentidos as saboreiem.
São os cantos da terra perfumada; das cores azuis, entranhadas de céu, das palavras que te digo -a dolência forte deste meu amor-, sobre as flores campestres que se aninham no meu colo (outrora vivo): o cheiro molhado das minhas veias.
Pelo rosto correm lágrimas,
que teimo em enxugar;
quero pará-las
e voltar ao início de tudo,
mas a força que possuo,
traga-me em sentido contrário:
ao abafar o voo indeciso
da renúncia.
Os sentidos acalmam-se numa carícia doce, inesperada.
Encosto-me ao teu ombro e sinto-te vivo então, os sentidos exaltam-se e entrego-me na ternura dos teus gestos, no fulgor do teu olhar, sendo o que esperas em mim.
Eu, acompanhada pelo Jorge Castro, dinamizador das Noites com Poemas, Clarinda Galante, uma Senhora da fotografia, Maria Francília Pinheiro, Poeta e a Ilda Oliveira, contadora de histórias.