quarta-feira, 22 de abril de 2009

A bela adormecida


Não sei se as flores me magoam
porque as escuto
ou se elas me alegram
na sua própria essência.

Sei que as mãos cruzam os caminhos
e que o horizonte se faz perto.
Deixo de saber o lugar da casa
e de muito longe
eu conto-te uma história de encantar
no espaço indelével
da canção adormecida.


Foto: Thiago G.

14 comentários:

Thiago disse...

Paula, n resisti e fiquei à espera que o post fosse publicado. Está muito bonito mesmo!! E se soubesses para quem eram essas flores, entenderias como faz sentido o teu poema...!

Acontece que no início do século XX, um casal de namorados quiseram casar-se na igreja da aldeia de Bausen (uma aldeia do Val d'Aran, no noroeste da Catalunha), mas o padre negou casá-los, uma vez que tinham o mesmo sangue. Ainda assim e contra tudo e todos resolveram juntar-se e ter um filho.

A mulher, que se chamava Teresa, morreu bastante jovem e, nessa altura, o seu "marido" e filho quiseram enterrá-la no cemitério da aldeia, mas mais uma vez esbarraram com a má vontade do capelão que não permitiu que Teresa fosse enterrada em terras sagradas.

O amor que havia unido estes dois habitantes de Bausen era tal que, com a ajuda de algumas pessoas da aldeia, construíram um pequeno cemitério, a 400m do povoado, onde finalmente enterraram Teresa.

Actualmente, é possível ir até a este cemitério e colocar uma flor junto à campa de Teresa, onde estão escritas as palavras do seu eterno apaixonado:

Recuerdo a mi amada Teresa que fallecio en Mayo de 1916 a la edad de 33 anos.

Essas flores, Paula, eram para ela, a tua bela adormecida.

Viajantis disse...

...lindo!
Um abraço ao Thiago, bela foto!

Maria Clarinda disse...

Palavras para quê??? Como sempre o poema maravilhoso, em que a foto te conta a história de encantar...
Lindo!!!!
Jhs muitos!!!!

wind disse...

Muito bonito.
Beijos

Sereia* disse...

Paula e Thiago,

Deixo beijos para os dois e levo as duas 'estórias' no meu coração.

Levo o embalo da Bela Adormecida e um pedaço da memória desse amor.
Deixo as flores por cá, porque sinto que é aqui, onde estão agora, que devem ficar*

MPereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jaime A. disse...

O horizonte fez-se perto... perto também sinto a tua escrita (será lisongeiro para ti?)
Sempre fã...

Je Vois la Vie en Vert disse...

Querida Paula,

Realmente, a tua sensibilidade te levou a escrever o poema ideal para a foto do Thiago e isto, sem saber nada da história bonita que o "fotografo" contou !
Parabéns aos dois !
Bela harmonia entre a história, o fotografo e a poetisa !

Beijinhos da

Verdinha

Å®t Øf £övë disse...

Paula,
A mim as flores provocam-me sensações dispares conforme o meu estado de espirito.
Beijinhos.

Mário Margaride disse...

Querida amiga

Mais um soberbo poema!

Muito terno e sensível, e ao mesmo tempo, de profunda intensidade.

Beijinhos carinhosos

Mário

poetaeusou . . . disse...

*
a essência de uma Paula,
indelével, inextinguível . . .
,
Bjis de sentida amizade,
,
*

Lumife disse...

Leio com prazer as tuas palavras entrelaçadas de flores singelas que se valorizam reciprocamente.


Beijos

Maria, Simplesmente disse...

Paula:
Penso que as flores, por terem vida, devem sofrer tal como nós, embora seja um sofrimento que nós, por não sermos flores não possamos entender.
Elas abrem e fecham com o Sol, tal como nós dormimos melhor depois dele desaparecer no horizonte, e precisamos dele para viver.
Formas de vida diferentes, mas fazendo parte dum Universo que desconhecemos!
Este lugar é lindo, Paula, e sem querer ferir susceptibilidades, o que o Tiago nos contou tocou-me profundamente.
Bom domingo
Maria

Alexandra disse...

Com o dom que te é característico, penso que ouves as flores...



A Sombra do Vento é um dos mais belos livros que li. Aproveita essa preciosidade. Boa leitura.

Beijinho e boa semana. :)