Era domingo.
Nada acontece por acaso.
Mas por acaso
chegou um desconhecido torpor
e por acaso
já o Verão se aproximava do fim.
Mas não por acaso
a voz pronunciou-se em tom neutro
e por acaso eu ouvi-a em silêncio.
E talvez
porque nada acontece por acaso
eu a entendo.
Hoje.Foto minha.
Quando me cantas ao ouvido
a música dos poemas
regresso ao fundo de mim
numa suave melodia de água
só daí posso nascer e chorar
apresentando-me ao mundo
depois da tua canção
eu permaneço
uma eloquente paixão
sou uma presença de mar
e uma onda para te trazer de novo
à Vida!Foto minha.
E o silêncio será o meu luto.Foto minha.
Mais uma página
virada do avesso
um absurdo silêncio
uma forma disforme
de calar
outra página
do livro errado
do incerto folhear
e as folhas murcham
pelo raiar da manhã.
Assim estáticos
o incompreensível
desvendar das coisas.Foto minha.
Talvez me apeteça
rever o filme
de trás para a frente
em câmara lenta
e concluir
que a ideia inicial
foi o final imprevisto
de uma câmara obsoleta
de um sentimento
sem precauções
ou de uma
improvisada sessão
feita de retalhos
mal alinhavados.
Com os meus olhos
digo da sombra
e do afago
e da saudade
e de um infinito
olhar
falo da paz
e do silêncio
ou da solidão
com os teus olhos
por mim
sinto melancolia
ou amor
e um sempre
regresso de ti
mesmo que seja
um sonho breve
com os teus olhos
de mim.Foto minha.
Sinto o rio
hoje ele bebeu-me as palavras
e deixou-me o coração
aberto à Vida
aquele rio soletrou-me
enterneceu a distância
e ofereceu-me a paz presente
o crepitar do fogo
o rio hoje
amansa-me...Foto da minha autoria...
Porque é que às vezes
não passa de um brutal
nó na garganta
e as lágrimas
escorrem por dentro
e inundam a alma
e nos afogam os sentidos
não choramos
e não gritamos
deixando a dôr
amachucar
o que ainda resta de nós?
Porque será então
que o fogo não se extingue
quando a ausência
é premente?!Foto minha.
Só eu sei da doçura
que escondes
no silêncio
só eu sei do pranto
que te consome
e te trai
em pequenos gestos
só eu sei
que te reencontrei
quando a foz
está à vista
e ambos sabemos
(só agora)
que o amor
vale a pena!Foto: Maria Clarinda
Um dia que sempre assinalarei porque presente na minha memória.
O dia em que me abriste o primeiro blog com este nome.
Muitos blogs passados e apagados, outros presentes e com vida.
Três livros publicados e o quarto em Outubro próximo.
Fisicamente não estiveste presente em nenhum deles.
Porque estás sempre a meu lado, todos os dias são dias teus.
Quando nos reencontrarmos, um outro dia, seremos o que não tivemos, ainda, tempo de ser.A foto tirada por mim, para ti.
Parabéns Pai!
Quantos ensinamentos me dás todos os dias!
Como é bom poder partilhar contigo o que me acontece...o que nos acontece!
Parabéns, por seres um vitorioso!Foto: de um dos teus 3 netos
37 anos...
14 de Agosto de 1972 às 4h e tal da madrugada.
Um beijinho daqui de longe.
Mãe.Foto digitalizada com muitos anos...
O principal sorriso
que o rosto trai
sente-se na alma
assim encontrada
num remanso
da natureza
e este sorriso
cala no silêncio
qualquer amargura
qualquer voz
em sintonia
a perfeição desse lado...Foto: Maria Clarinda
Quando caminho
assim
de um lado ao outro
da avenida
os meus passos
já conhecem o asfalto
são eles que me levam
de um lado ao outro
e enquanto o dia
se escoa
mil vezes me embalam
mil vezes me deixam
e outras tantas
me engolem...Foto: Maria Clarinda
Final de Julho, mais um mês cumprido do calendário.
Vou fazer uma pausa e talvez volte. Ou talvez não.
Obrigada a quem me segue.
Até.Foto: José Arroteia
O cansaço invade-me
e apodera-se de mim
atira-me ao chão
repentinamente
e não me deixa reagir.
Prostrada por ele
não raciocino
não lembro
não vou nem regresso
não falo não vejo
não sinto
morro enfim...
São cascatas azuis
febris
desejos e sonhos
cumpridos
a minha distância
algures na planície
ondula no vento
e sorri-te
magnífica
e deslumbrante
cativando
sempre um pouco mais
o teu olhar
sobre nós, as flores.
A partir de hoje
será o girassol
o símbolo
da alegria
e renascimento,
da luta pelo sonho
e da vitória
de todos os dias
serem Amor.
Abrir-se-á magnífico
no teu regresso
e descansará
nos teus braços
num único e novo
despertar...Foto: José Arroteia
Deixo-me embalar
pelo ritmo renovado do mar
ele questiona-me impulsivo
o que faço aqui
não sei responder
vou ficando
estando
sendo
perdendo a noção
de tempo
ganhando a noção
de nada...Foto: Clarinda
Cada passo
uma desilusão
cada voz
um descompasso
cada gesto
uma ruína
Por cada passo
cada voz
e cada gesto
passam intolerantes
todos os rios
que de mim nascem.
Se te invento agora
é porque o momento
chegou
e em magia e luz
a nossa vida transforma
um imenso areal
em sons azuis
de sonhos possíveis
e um distante roçar
de corpos
num perto devaneio
dos sentidos.
Ainda oiço a voz
que ontem sussurrava
um beijo ardente
na madrugada
era uma gaivota
aninhada no meu colo
no tempo breve
de um sorriso
entre a luz
e o murmúrio do mar
só as ondas
sabiam de mim.
Um dos muitos poemas belos do Pedro Laranjeira, no seu livro Pulsar.
Obrigada por teres autorizado a sua publicação aqui.Afagar-te os seios, lentamente,
em carícias firmes de suave excitação...
meter-te os dedos no cabelo
e deixar a polpa deslizar sedosamente
até deitares para trás a cabeça,
frouxamente,
num arfar silencioso de emoção!...
Deixar aos poucos a mão escorregar
p'ra que o arrepio fibroso do ouvido,
em ternura transforme o apalpar do teu pescoço...
Pousar então, de mansinho, a minha boca
na flor entreaberta dos teus lábios
e beber a seiva do teu vibrar sereno
enquanto o teu corpo entra nos meus braços!...
Sem um leve tremor, com lentidão,
fazer cair dos teus ombros a blusa
e num estalido seco, quase imperceptível,
abrir-te o soutien para que a luz a volta
possa gozar a ternura dos teus seios...
Ajudar-te na reciprocidade da atitude,
...olhos fechados corpo em liberdade,
até que a minha nudez possa te mostrar
a observância atenta do cair da tua saia
e dar-te a mensagem da total eloquência
do vislumbre triangular que vai me receber!
Deixar as mãos frementes percorrer
a pele rosada e suave de teu corpo,
numa carícia terna de bebé
que te faça vibrar o cordão umbilical!...
Deixar então pousar a boca, de mansinho,
nos botões rosados, frementes dos teus seios!
Para lá das palavras
que se dizem
existe um mundo imenso
a ser descoberto
a ser vivido e amado
e que espera ansiosamente
o começo da aventura.
Assim quando a esperança
nos retoma o sentido
desejamos que a vida
seja o ideal sonhado
e para lá de todas as palavras
exista a permanência
do Amor.