Sinto o rio
hoje ele bebeu-me as palavras
e deixou-me o coração
aberto à Vida
aquele rio soletrou-me
enterneceu a distância
e ofereceu-me a paz presente
o crepitar do fogo
o rio hoje
amansa-me...Foto da minha autoria...
Porque é que às vezes
não passa de um brutal
nó na garganta
e as lágrimas
escorrem por dentro
e inundam a alma
e nos afogam os sentidos
não choramos
e não gritamos
deixando a dôr
amachucar
o que ainda resta de nós?
Porque será então
que o fogo não se extingue
quando a ausência
é premente?!Foto minha.
Só eu sei da doçura
que escondes
no silêncio
só eu sei do pranto
que te consome
e te trai
em pequenos gestos
só eu sei
que te reencontrei
quando a foz
está à vista
e ambos sabemos
(só agora)
que o amor
vale a pena!Foto: Maria Clarinda
Um dia que sempre assinalarei porque presente na minha memória.
O dia em que me abriste o primeiro blog com este nome.
Muitos blogs passados e apagados, outros presentes e com vida.
Três livros publicados e o quarto em Outubro próximo.
Fisicamente não estiveste presente em nenhum deles.
Porque estás sempre a meu lado, todos os dias são dias teus.
Quando nos reencontrarmos, um outro dia, seremos o que não tivemos, ainda, tempo de ser.A foto tirada por mim, para ti.
Parabéns Pai!
Quantos ensinamentos me dás todos os dias!
Como é bom poder partilhar contigo o que me acontece...o que nos acontece!
Parabéns, por seres um vitorioso!Foto: de um dos teus 3 netos
37 anos...
14 de Agosto de 1972 às 4h e tal da madrugada.
Um beijinho daqui de longe.
Mãe.Foto digitalizada com muitos anos...
O principal sorriso
que o rosto trai
sente-se na alma
assim encontrada
num remanso
da natureza
e este sorriso
cala no silêncio
qualquer amargura
qualquer voz
em sintonia
a perfeição desse lado...Foto: Maria Clarinda
Quando caminho
assim
de um lado ao outro
da avenida
os meus passos
já conhecem o asfalto
são eles que me levam
de um lado ao outro
e enquanto o dia
se escoa
mil vezes me embalam
mil vezes me deixam
e outras tantas
me engolem...Foto: Maria Clarinda
Final de Julho, mais um mês cumprido do calendário.
Vou fazer uma pausa e talvez volte. Ou talvez não.
Obrigada a quem me segue.
Até.Foto: José Arroteia
O cansaço invade-me
e apodera-se de mim
atira-me ao chão
repentinamente
e não me deixa reagir.
Prostrada por ele
não raciocino
não lembro
não vou nem regresso
não falo não vejo
não sinto
morro enfim...
São cascatas azuis
febris
desejos e sonhos
cumpridos
a minha distância
algures na planície
ondula no vento
e sorri-te
magnífica
e deslumbrante
cativando
sempre um pouco mais
o teu olhar
sobre nós, as flores.
A partir de hoje
será o girassol
o símbolo
da alegria
e renascimento,
da luta pelo sonho
e da vitória
de todos os dias
serem Amor.
Abrir-se-á magnífico
no teu regresso
e descansará
nos teus braços
num único e novo
despertar...Foto: José Arroteia
Deixo-me embalar
pelo ritmo renovado do mar
ele questiona-me impulsivo
o que faço aqui
não sei responder
vou ficando
estando
sendo
perdendo a noção
de tempo
ganhando a noção
de nada...Foto: Clarinda
Cada passo
uma desilusão
cada voz
um descompasso
cada gesto
uma ruína
Por cada passo
cada voz
e cada gesto
passam intolerantes
todos os rios
que de mim nascem.
Se te invento agora
é porque o momento
chegou
e em magia e luz
a nossa vida transforma
um imenso areal
em sons azuis
de sonhos possíveis
e um distante roçar
de corpos
num perto devaneio
dos sentidos.
Ainda oiço a voz
que ontem sussurrava
um beijo ardente
na madrugada
era uma gaivota
aninhada no meu colo
no tempo breve
de um sorriso
entre a luz
e o murmúrio do mar
só as ondas
sabiam de mim.
Um dos muitos poemas belos do Pedro Laranjeira, no seu livro Pulsar.
Obrigada por teres autorizado a sua publicação aqui.Afagar-te os seios, lentamente,
em carícias firmes de suave excitação...
meter-te os dedos no cabelo
e deixar a polpa deslizar sedosamente
até deitares para trás a cabeça,
frouxamente,
num arfar silencioso de emoção!...
Deixar aos poucos a mão escorregar
p'ra que o arrepio fibroso do ouvido,
em ternura transforme o apalpar do teu pescoço...
Pousar então, de mansinho, a minha boca
na flor entreaberta dos teus lábios
e beber a seiva do teu vibrar sereno
enquanto o teu corpo entra nos meus braços!...
Sem um leve tremor, com lentidão,
fazer cair dos teus ombros a blusa
e num estalido seco, quase imperceptível,
abrir-te o soutien para que a luz a volta
possa gozar a ternura dos teus seios...
Ajudar-te na reciprocidade da atitude,
...olhos fechados corpo em liberdade,
até que a minha nudez possa te mostrar
a observância atenta do cair da tua saia
e dar-te a mensagem da total eloquência
do vislumbre triangular que vai me receber!
Deixar as mãos frementes percorrer
a pele rosada e suave de teu corpo,
numa carícia terna de bebé
que te faça vibrar o cordão umbilical!...
Deixar então pousar a boca, de mansinho,
nos botões rosados, frementes dos teus seios!
Para lá das palavras
que se dizem
existe um mundo imenso
a ser descoberto
a ser vivido e amado
e que espera ansiosamente
o começo da aventura.
Assim quando a esperança
nos retoma o sentido
desejamos que a vida
seja o ideal sonhado
e para lá de todas as palavras
exista a permanência
do Amor.

Surripiei-te as fotos...
Porque os números redondos
são bonitos e dão as mãos,
porque não podemos deixar morrer
a criança que existe em nós
e porque fazes parte da minha vida,
este dia e todos os outros
têm que ser de festa.
À tua saúde o meu brinde
regado com muito champanhe
e num longo abraço apertado
a festa será 'a' festa.
E porque os dias são azuis
na amizade que construímos...Parabéns, Clarinda!
Porque a distância
aumenta a aprendizagem.
Já se falaram
e já se escreveram
palavras acentuadas
e outras sem sentido
já muito se disse
e nada se entendeu.
Já muito se chorou
e já muito se riu
lágrimas cantadas
e outras sem voz
já se calaram
e nada se encontrou.
Basta!
Que se grite e se diga
se chore e se partilhe,
que se escreva e se entenda
que cada um seja
o que cada um é...
Duas gaivotas
pousam no telhado de zinco
destes barracões
à quase beira mar,
uma delas conversa
ininterruptamente comigo
num som chorado
pedindo a minha atenção.
Levanto a cabeça
e respondo-lhe numa carícia
suave em doces palavras
de alento,
mas ela continua o seu choro
cantado em cambiantes
perfeitos.
Gaivotas do meu silêncio
na paz sublime
do meu peito encontrada,
soletrando à quase beira mar
A Eme O Erre...Escrito em Setembro de 2006Foto: Clarinda
Transporto os sonhos
em malabarismos ousados,
em lâminas
vestidas de sangue,
trago comigo os sonhos
ainda por sonhar,
de incertezas,
vivo os sonhos vivos
que me adormecem
os momentos simples
de poder
e os caminhos céleres
de ousar.Foto cedida por Paulo Almeida
http://www.1000imagens.com/foto.asp?idautor=532&idfoto=459&t=&g=&p=3
Gosto de pensar-te
como um futuro,
um sorriso aberto
e esperança.
Penso-te entre dois
dedos de conversa
e a volta da saudade
que não pesa mais.
Gosto de pensar-te
em poesia
e numa tela sempre
iluminada,
um culminar e um regresso.
Eu penso-te aqui
nas minhas mãos
e liberto-te ao vento,
poema e paixão.