As sombras emolduram
o rosto de uma aparente
serenidade
de líquidos acinzentados
e de fictícios finais
felizes...Foto: Viajantis
Em profusa amálgama
os sons irrompem
divididos e estranham
a espessa colorida
viagem do momento.
Tormento e saudade.
A tua voz já ausente.Foto: Viajantis
On glisse doucement
et le chant quand elle tombe
s'amuse en nous donnant
le merveilleux parfum blanc
de la couleur pure et poétique
de ses flacons
et nous étonne toujours
sur l'état lumineux
de sa beauté...A foto é do Osvaldo e porque ele vive num país francófono.
Debruçada sobre o límpido
lago azul,
espelho de encantamento,
todas as fadas reunidas
nesta festa de ser!
Fragmentos de palavras,
farrapos
encontrados no lixo,
cheios os contentores,
vazios os efeitos
e caladas as bocas
à força,
entre um acidente
e um destino.Foto do meu filho Viajantis
Do caminho sinuoso
como são os caminhos,
que se percorram
num agrado suave
e se envolvam em neblina
e em ondas de prazer
se desfaçam,
se despedacem
nos rochedos
e como as ondas
e os caminhos
sinuosos se evitem
e se perpetuem
em longas orgias
e de granito,
as esculturas vivas
dos inevitáveis
acasos precisos
irreconhecíveis
se afundem
e se glorifiquem!Foto: Viajantis
Este é o sol estrela
brilho do amanhecer
ânsia de nascer,
mil simples palavras,
esta é a madrugada
de um ímpeto
silencioso, perfeito
e sublime
dos dias que são todos
aqueles,
que todos sendo,
os são das nossas manhãs...
Os olhos que hoje vêem o mar
têm um sabor agreste
e um ritmo indiferente
e desigual,
são uns olhos taciturnos
que não brilham com o sol
e que não se enchem
de espuma
nem se espraiam na areia,
são uns olhos metálicos.Foto: Viajantis
A música ainda soa na sala
onde fluiu um tempo distinto
e as marcas dos sons
permanecem
intrépidas, intrépidos
e onde eu me encontro
ainda e agora
o som da música
rompe o silêncio.
Uma parte de mim
enche-se de encanto
e adormece
aflorando levemente
o sol sorrindo
e outra parte de mim
esconde-se
por detrás das rochas
acordada e aturdida
num velho bote
em desuso...
Sempre diferentes
as ondas sulcam
pela areia
todos os grãos soltos
dos murmúrios
e nunca iguais
bradam incessantes
todos os momentos
das marés.Foto: Viajantis
Falta um pouco
muito devaneio
um sonho muito
e um pouco de liberdade
uma muita saudade
e pouco tão muita
a loucura
e a paixão
e tão pouco
muito tempo.
Dividida por dois pontos
somo o quociente
ao resto
mais o dobro
da diferença
e subtraio
um quinto
das lágrimas
que multiplico
por zero...
Aprendi a ler escrever
fazer as quatro operações
aritméticas
aprendi francês inglês
alemão
aprendi história de portugal e geografia
ciências naturais e física
química e álgebra
desenho e português
aprendi latim e filosofia
história da literatura
e história universal
aprendi normas de conduta
e aprendi o que me ensinaram.
Aprendi a amar a perdoar
e a ser condescendente
aprendi a não me calar
e a calar
aprendi a conjugar os verbos
a resolver equações do 3º grau
e a bordar e a fazer tricot
aprendi a trabalhar
onde calhou
e aprendi o que me ensinaram.
Para quê?
Para sobreviver.
Esqueceram-se de me ensinar
a aprender a deixar-me amar...
É inevitável que eu volte aqui
ao espaço que me aqueceu
durante meses
é inevitável regressar
pelo silêncio
que me habita
compreender
o porquê da tua ausência.
Terei sempre que voltar aqui
é inevitável regressar
ao teu colo
e restituir à tua chama
a chama da minha vida.
Por aqui me fico.
Agradeço aos meus 18 seguidores todo o apoio. E que me sigam sempre...se faz favor.
Este espaço encerra com o maravilhoso poema traduzido da Maria de São Pedro e com esta foto do Viajantis.
Estarei onde sempre estive, mesmo que pareça que não... no meu romãs
Porque acho lindo este poema escrito pela Maria de São Pedro e traduzido pelo ALTAIR, aqui ficam os lobos.
Obrigada, Maria!
Leyenda de dos cadenas tormentosas
en que Amor y Odio se envuelven
y disuelven
en cristales de bruma fría.
Sierras azules,
allá, donde me pierdo
y me encuentro...
y hijos de agrestes peñascos
deslizan en la luz de plata de la luna,
aspirando tímidos,
perfumes de montaña.
Invento divino,
sueltan su magnífico aullido,
agitando sordamente
algo íntimo e inquietante.
Por vosotros,
mi canto subirá en espirales
y entre resplandores de Luz,
se encadenará en el infinito,
en esplendor mayorFoto surripiada na net.
Quando eu tiver
as mãos doridas
de tanto escrever
invento uma forma
indolor
e escrevo
na parte de dentro
das folhas
onde não magoa
o poema
e onde as mãos doridas
poderão descansar
sobre a luz da memória.Foto: Viajantis
Com a passagem do tempo
esfuma-se o que se julgou
ser um grande amor
e não passou
de um contratempo
dissolvido em palavras,
sem marcas visíveis
e uma contrariedade
atirada para trás
das costas
à laia de esquecimento...Foto: Viajantis
Já não é a 1ª vez que transcrevo um poema do meu Amigo Vieira Calado porque ele consegue dizer o que nós queremos dizer.
Este poema é do seu último livro 'Itinerário' da Edium Editores, Novembro de 2008, pág.40.
O edifício das palavras,
o projecto inerente à ideia
e aos degraus da leitura,
o processo linear dos sons
e dos afectos
um pouco de embriaguês
para questionar as sombras e a luz
eis a explosão programada
o poema
a desobediência aos mistérios
no desassossego e na emoção
de dizer o indizível
à luz do dia.A foto que escolhi é do Viajantis
Escolhi esta foto tua para te dar os parabéns e ao teu filho, neste dia de aniversário duplo.
Mesmo longe, estamos perto...
O coração não tem distâncias.
Só escuto o gotejar
cadenciado e simples
quando arrefece
e tudo o resto
para lá disso
não existe
no meu filme.Foto: Viajantis
Falamos de madrugadas
inventadas
e de Invernos floridos,
escrevemos
sobre o Verão
cheio de neve
e plantamos árvores
em tons diferentes.
Quando a música cessa
e a última lágrima
se evapora
a poesia cresce!Foto: Viajantis
Estas são as cores
com que os meus olhos
se vestirão
um dia ao acaso
entre outras vestes
comuns e cruas
os meus olhos
de ocaso
vestir-se-ão
de cores assim.Foto do 1º ocaso de 2009 no Funchal tirada pelo Viajantis
O branco caminho
não tem mágoas
nem saudade,
eleva-se
em pétalas azuis
e marca
simbolicamente
o princípio
do teu regresso.Foto: Viajantis